• Felipe Bernardes Albertoni

Bate-papo com a arquiteta Larissa Gransotto: “A retomada da conexão com a natureza vai perdurar”


Estar em contato com a natureza é a forma que grande parte das pessoas que vivem em áreas urbanas escolhe para relaxar quando têm a oportunidade. Nada mais natural: segundo os cientistas, o verde, o mar, as flores, a madeira, o ar puro e demais elementos da natureza carregam o poder de tranquilizar nossas conexões cerebrais e promover um efeito restaurador na mente humana. Faz todo sentido, portanto, que o Design Biofílico esteja tão em em alta na arquitetura e na decoração. Aproximar as pessoas da natureza em suas próprias residências – que hoje também é o local de trabalho – apresenta-se como uma solução para o presente e o futuro em um mundo cada vez mais urbanizado. Em Florianópolis, quem sempre procura fazer essa ponte com a natureza em seus projetos é a arquiteta Larissa Gransotto. Natural de São Miguel do Oeste, no Oeste de Santa Catarina, ela é proprietária do Add Studio Arquitetura – escritório que, há seis anos, cria projetos residenciais criativos e personalizados com materiais sustentáveis. Confira abaixo nosso bate-papo com a arquiteta Larissa Gransoto: Morada Eco – Como você enxerga o Design Biofílico? Acredita que trazer a natureza para dentro dos ambientes internos e urbanos é uma tendência do momento ou irá perdurar? Larissa Gransotto – Hoje o Design Biofílico está caracterizado como um estilo ou uma tendência com determinados itens necessários para se compor um espaço mas eu acredito que a utilização da natureza, na história da arquitetura e da decoração, de alguma forma sempre esteve presente. Talvez em algum momento, por uma divulgação muito grande do minimalismo e de uma essência do design totalmente puro, acabou trazendo uma certa aridez para os espaços. Acredito que essa retomada com certeza vai perdurar: se pensarmos em quantos pátios internos arquitetônicos eram utilizados, as casas eram todas voltadas para este pátio com vegetação presente ou outros materiais... acredito que é uma retomada e que vai perdurar. ME – Como você procura inserir elementos naturais ou que remetem à natureza em seus projetos? Acredita que existe algum estilo que combina melhor com a madeira e o verde ou tudo pode fazer sentido? LG – Eu procuro trazer de alguma forma, já desde os estudos preliminares, a presença da natureza. Como meu objetivo é mais a parte arquitetônica do que o design de interiores, um dos principais itens para mim é a relação com o espaço aberto e com o pátio. Em meus projetos de arquitetura residencial, esses elementos arquitetônicos da construção junto ao natural são essenciais. Já nos primeiros traços o natural vem em conjunto e em um segundo momento, quanto saímos da planta, começamos a materializar e vamos para a volumetria, trazemos elementos naturais como a madeira e as pedras, eu busco esse aconchego. A Natureza traz isso, ela cria uma ambiência interna conectada com a externa. De maneira geral, os clientes já vêm com esta intenção ou aceitam a intervenção e depois acabam aderindo. Tenho clientes que nunca tiveram um contato muito direto e um cuidado com as plantas e isso acabou virando um hobby depois que foi colocado no projeto. Mas não é inviável usar outros elementos, com uma linguagem um pouco mais industrial, em um projeto mais sério: bancadas de bambu e tinta mineral com concreto, etc. ME – Você acredita que os arquitetos e designers de Florianópolis e do Brasil em geral estão antenados à tendência do Design Biofílico? LG – Acompanhando as publicações de arquitetura a gente percebe que há algumas pinceladas em comum no Brasil e no mundo. Mas acredito que Florianópolis tem uma pegada mais natural: se formos comparar com Balneário Camboriú, há um contraste muito grande. Aqui se busca uma conexão direta com a natureza na maioria dos espaços. A praia é um dos temas, elementos do artesanato mais natural e local... há uma relação muito grande através das esquadrias e outros materiais. Acho que Florianópolis vai por essa linha, não necessariamente o estado. Não me parece que a linguagem de Joinville vai por esse caminho mas existem diversas cidades brasileiras que conseguem ter essa relação mais estreita, não só urbana e com materiais sintéticos.

Arquiteta Larissa Gransotto

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